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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
Artigo do Matias Marinho: Democracia Em Crise?
domingo, 19 de dezembro de 2021
José Sarney: Doidos, mas nem tanto
| Crédito: Reprodução/TV Globo |
sábado, 13 de novembro de 2021
Artigo do Carlos Brandão: O poder da República exercido para o bem comum
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Artigo do Haroldo Sabóia: Decifra-me ou te devoro, o enigma de 2022
segunda-feira, 21 de junho de 2021
Artigo do Sarney: O cansaço da solidão
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| Foto: Agência Senado |
domingo, 9 de maio de 2021
De Pero Vaz a Mandetta, passando por Getúlio, a saga brasileira no reino das cartas
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| Foto: Câmara dos Deputados |
(*) Waldir Maranhão
Desde o seu descobrimento até a CPI da Covid, o Brasil tem enfrentado percalços históricos, muitos iniciados por cartas polêmicas e devastadoras, à exceção da escrita pelo português Pero Vaz de Caminha, em 1500, por ocasião do descobrimento do que se acreditava ser o Mundo Novo.
Em sua missiva ao rei de Portugal, o escrivão oficial da frota comandada por Pedro Álvares Cabral relatou as primeiras impressões sobre a outrora Pindorama, que com o passar do tempo foi rebatizada como Brasil.
Ao dirigir-se a Dom Manuel I, o escriba cabralino fez uma breve narrativa sobre os indígenas de então, com quem os portugueses mantiveram contato e iniciaram os escambos.
“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência”, escreveu Pero Vaz.
Caminha, que não era visionário muito menos vidente, sequer imaginou o furdunço em que se transformaria aquela vastíssima porção de terra virgem habitada por pardos que fugiam ao padrão de beleza europeu, apesar dos “bons rostos e bons narizes, bem feitos”.
A carta enviada ao rei de Portugal é considerada o marco inicial do “quinhentismo”, período que reúne todas as manifestações literárias produzidas em terras brasileiras, a extensa maioria por portugueses, no século XVI.
O “quinhentismo” proporcionou encontros que até hoje, passados mais de 500 anos, influenciam a política nacional, a sociologia e outras facetas da sociedade brasileira, como a destruição das florestas, o preconceito contra o povo indígena e sua cultura, até mesmo lufadas de ódio contra os silvícolas, os verdadeiros donos da terra.
O calendário da história avançou em uma nova carta sacudiu o país. A carta-testamento de Getúlio Vargas, escrita horas antes do suicídio, foi uma mensagem ao povo brasileiro em que o caudilho, um populista de quatro costados, abusa da vitimização.
“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes”, escreveu Getúlio.
“Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida”, avançou Getúlio na carta-testamento.
“Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”, concluiu.
Agora, a carta em voga é a do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, endereçada ao presidente da República para alertá-lo sobre o perigo da pandemia, sem que Bolsonaro dispensasse a devida atenção ao tema.
A mais grave crise sanitária dos últimos cem anos fez com que 415 mil brasileiros tombassem diante de um inimigo desconhecido e invisível, que age sem dó nem piedade.
A carta de Mandetta é a prova cabal e derradeira da irresponsabilidade do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento da crise da Covid-19. Mesmo que o presidente da República queira escapar à responsabilidade, o documento em questão na deixa saídas aos negacionistas.
Ao finalizar a carta, Mandetta ressaltou à época que “tendo em conta que a atuação do Ministério da Saúde no preparo, vigilância e resposta a pandemia pelo Covid-19, em consonância com o Regulamento Sanitário Internacional (Decreto n. 10.212, de 30 de janeiro de 2020), fundamenta-se nos fatos apurados, nas evidências científicas e na observância dos princípios e regras que alicerçam os direitos e garantias fundamentais de todo cidadão brasileiro, recomendamos, expressamente, que a Presidência da República reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população.”
Mandetta recomendou ao presidente que considerasse as recomendações cientificas para minimizar na medida do possível o efeito da pandemia, mas de nada serviu o apelo.
À parte o “quinhentismo”, que selou o destino do que somos hoje em termos de nação, o getulismo e o bolsonarismo têm suas similitudes, a começar pelo culto à personalidade de dois governantes obscuros e totalitaristas.
A exemplo do que ocorreu no fascismo, no stalinismo e no nazismo – movimentos que tiveram na proa déspotas históricos e facinorosos – o getulismo e o bolsonarismo ganharam corpo com a mesmíssima estratégia: incutir no inconsciente coletivo, por meio de maciças ações de propaganda, a figura de seus respectivos líderes.
Vargas valia-se do cinema e da televisão para impulsionar país afora o culto à sua personalidade, ao passo que Bolsonaro recorre às redes sociais e ao cercadinho montado à porta do Palácio da Alvorada, sem contar as aglomerações que promove por toda parte, quando dispara mentiras sobre um naco da sociedade que cada vez mais está tomada pela cegueira da adoração.
Fazendo contraponto à carta de Pero Vaz de Caminha, mas ao escriba português recorrendo, a missiva por Mandetta mostrou aos brasileiros que Bolsonaro “nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara”.
Mesmo o Brasil vivendo uma saga de cartas históricas, destaco George Orwell (1903-1950), jornalista e ensaísta britânico, que grafou: “A história é escrita pelos vencedores”.
Entre as cartas que mencionei fica evidente que a história brasileira não pode ser reescrita, mas é possível evitar que falsos vencedores nos imponham mais uma derrota.
Voltarei ao tema no próximo artigo com análise sobre o xadrez político que tem as eleições de 2022 como tabuleiro.
(*) Waldir Maranhão – Médico veterinário e ex-reitor da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), onde lecionou durante anos, foi deputado federal, 1º vice-presidente e presidente da Câmara dos Deputados.
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Artigo do professor Neto Waquim: Timon merece os melhores vereadores em 2020
Muitos nomes irão surgir em 2020. Creio que pessoas nobres e com boa intenção! Mas só a boa intenção basta? E aqueles que já foram experimentados no legislativo, cumpriram seu papel como vereador? São apenas reflexões.
Estamos tão globalizados, que esquecemos que fazemos parte de uma tribo, de uma comunidade, de um bairro, de uma rua e que temos vizinhos. Pessoas que compartilham a mesma realidade, que dividem uma xícara de açúcar, uma colher de café e uma palavra amiga. O vereador precisa identificar-se com essa realidade. É o político mais próximo do POVO.
O VEREADOR precisa ser o servidor do POVO, e não funcionário de PREFEITO, ser um legitimo representante dos seus conterrâneos. Representar seu vizinho, seu bairro, enfim, a cidade.
Precisamos engrandecer o legislativo municipal. Fiscalizar e legislar é cumprir com dignidade a missão. O vereador pode e deve ajudar o município a crescer. O vereador precisa ter o conhecimento técnico daquilo que quer fiscalizar, como por exemplo se os 15% mínimos da receita do município obrigatórios para a SAÚDE são realmente gastos e ir além, se não há CORRUPÇÃO na gestão.
Como cidadão timonense, não vejo projetos para a cultura, vejo repetição e nenhuma inovação. Estamos com um centro cultural inacabado, calculado para ser finalizado nas eleições, mas nem isso se cumpriu. Em Timon, temos talentos diversos e jovens escritores. Precisamos de um teatro ou como um jovem amigo escritor sugeriu a criação de um SALITI (Salão de Literatura de Timon). Um povo que aprecia a cultura, torna-se AMOROSO e CORDIAL.
Na segurança, temos a GCM (Guarda Civil Municipal), com ampla atribuição (Lei 13.022/2014), que precisa de investimentos tanto em seu efetivo como em sua estrutura. A GCM de Timon está entre as 38 Guardas Municipais do Brasil habilitada a celebrar convênio com o MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Tamanho potencial é proporcional ao tamanho do desprezo.
Na educação, propala-se escolas bem equipadas. Parabéns! E o principal, os professores, estão oportunizando capacitação (formação continuada)? Temos um plano de carreira interessante para quem tem um mestrado e/ou doutorado. Aos docentes é dada a devida motivação? Investir na qualidade é investir no professor.
Conhecer a cidade é o primeiro passo, conhecer as pessoas é o seguinte, e conhecer os problemas e propor soluções é ser um VEREADOR compromissado com os verdadeiros donos do poder: O POVO TIMONENSE!
Timon é uma cidade pequena com problemas de cidade grande. Durante anos se avançou pouco, o que avançou não foi dada a devida continuidade. A estagnação, o nanismo de quem representa os poderes, esses precisam ser SUBSTITUÍDOS. De 4 em 4 anos nos é dada democraticamente essa OPORTUNIDADE.
O VEREADOR tem a obrigação institucional de defender e proteger o que é seu de direito. Uma CIDADE que possa ter orgulho, que tenha saúde, segurança, lazer e educação de qualidade. Uma cidade que te deixe bem por onde você for. Que possa bater no peito e dizer: EU MORO EM TIMON. É UMA CIDADE LINDA!
O VEREADOR precisa resgatar o teu orgulho, timonense! Conquistar o teu respeito como POLÍTICO!
VOTE consciente! Você que vende o VOTO, está vendendo o FUTURO de Timon!
Sou pré-candidato a VEREADOR, porque acredito que podemos avançar, o PARLAMENTO precisa de representantes verdadeiramente COMPROMISSADOS com a cidade!
Professor Neto Waquim
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Professor Neto Waquim: Carta aos Timonenses
CARTA AOS TIMONENSES I
Timon, 04 de abril de 2020.
QUERIDOS PATRÍCIOS, SAUDAÇÕES!!!
Como cidadão timonense, nascido em meados de 1974, no extinto hospital e maternidade São José, localizado na rua Benedito Leite, centro, o parto foi realizado pelo médico obstetra Dr. Jurandir Costa e acompanhado pelo pediatra Dr. Luís Firmino de Sousa, respirei pela primeira vez os ares da cidade das flores.
Hoje, sou Policial Civil há 21 anos e Professor há 9 anos. Profissões que tenho orgulho. Minha formação acadêmica consiste em duas graduações: DIREITO e SERVIÇO SOCIAL. Possuindo 2 (duas) especializações na área do direito, 01(uma) na área da educação e MESTRADO pela Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Após 46 anos, veja uma Timon diferente, com ares alterados, talvez seja pelos mais de 170 mil timonenses natos e radicados. Velhas e novas histórias se misturam e consequente exigências estruturais são inevitáveis. Grande e cheia de desafios para os que administram e pretendem administrar o PODER EXECUTIVO em 2021.
Na minha visão política e administrativa (especialista em Direito Público com ênfase em direito municipal), nossa Flores está mais complexa e desenha um perfil do administrador mais austero, capacitado e menos politiqueiro. Já presenciei inúmeras administrações do Poder Executivo. Algumas limitadas, outras grandes (sem planejamento), e por fim aquelas pequenas. Nesses ritmos, Timon não cresceu, mas inchou em seus 130 anos.
Uma visão equivocada de alguns administradores, foi achar que Timon não precisaria de investimentos que alavancassem sua independência em relação a sua coirmã Teresina. Essa postura administrativa por muitos anos retardou seu crescimento econômico. Não exigindo postura de investimentos (desatentos ao Princípio da Eficiência) visando uma economia forte a médio e longo prazo e achando que Timon teve sorte em se posicionar ao lado de uma capital. Tivemos sorte sim, de morarmos ao lado de Teresina, o pecado foi achar que nosso município era a capital do Piauí. Um fato que tivemos foi a separação dos usuários da saúde pública do Piauí e do Maranhão, desencadeando conflitos de competência, e diversos timonenses impedidos de usufruírem do SUS na capital piauiense.
Ainda analisando o aspecto político, elegemos políticos, apadrinhados por nossos prefeitos, que se dignificam com os votos dos timonenses (é legítimo), mas percebo que as promessas de palanque não se concretizam. Do fundo do meu coração timonense digo que é FRUSTRANTE!!!! É a ilusão das juras de amor eterno, mas eivadas de vícios, interesses que machucam e decepcionam. Tenho certeza que nossos PATRÍCIOS JÁ ESTÃO CANSADOS de tanto amor não correspondido.
Temos o nosso Poder legislativo, composto por 21 (vinte e um) parlamentares, consagrados pelo voto popular de forma democrática. São verdadeiros representantes do povo timonense. Aos nobres representantes que a eles foram delegados PODERES, juraram defender os interesses dos munícipes, respeitando os Princípios Constitucionais da Legalidade, da Supremacia do Interesse Público e da Impessoalidade.
Então, qual seria o perfil desse candidato à vaga no parlamento Municipal? Rico ou intelectual, de família política/tradicional ou que conheça os problemas da cidade? Ou que seja capaz de defender os interesses populares? Que saiba distinguir uma Política de Estado de uma Política de Governo? Entender de Políticas Públicas, de orçamento Público? Possuir bandeiras e atuação em áreas importantes como EDUCAÇÃO E SEGURANÇA?
Dessa forma, escolher um vereador, não é tão difícil como imaginamos. A escolha implica consequências que durarão 4 (quatro anos). O cidadão deve analisar as propostas e suas possibilidades de execução. Atentem à velha e proibida prática da COMPRA DE VOTO. Político que utiliza desse expediente, não espere COMPROMETIMENTO com a Cidade.
Cabe ao vereador elaborar as leis municipais e fiscalizar a atuação do Executivo – no caso, o prefeito. Os vereadores que propõem, discutem e aprovam as leis a serem aplicadas no município. Também é dever do vereador acompanhar as ações do Executivo, verificando se estão sendo cumpridas as metas de governo e se estão sendo atendidas as normas legais.
Então, vereador não é uma profissão, mas uma função temporária capaz de dignificar a pessoa que a exerce. É o legitimo representante do Povo. É uma missão.
Finalizo essa primeira parte da carta, INFORMANDO aos meus queridos conterrâneos e àqueles que escolheram Timon como seus lares, que empenho meu nome, meu trabalho, meu esforço, energia e AMOR e lanço-me à PRÉ- CANDIDATO A VEREADOR DE TIMON.
Sinto-me maduro, convicto e capaz em atuar dentro das minhas posições políticas, e a convite do pré-candidato a prefeito Comandante SCHINNEYDER, aceitei e filiei-me ao PARTIDO REPUBLICANOS. Alinharei aos valores democráticos, aos princípios que norteiam a lisura da Administração Pública e principalmente pelo desejo de ter uma Timon capaz de garantir o futuro das novas gerações. Dessa forma, atenderei ao chamado das ruas e do meu povo timonense.
Entre lutas e ardores, levantaste a tua voz. Timonense, tu és um forte. Timonense, tu és um bom. Enfrentas até a morte, pela defesa de Timon (Hino de Timon).
Grande e fraterno abraço
Prof. Msc. Neto Waquim
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Artigo do Edson Vidigal: Garzon, o Juiz
Baltazar Garzón tinha 32 anos de idade quando chegou a Madrid para assumir o cargo de Juiz Central de Instrução n.5 da Audiência Nacional.
A aparência jovem parecia sonegar a experiência e a coragem. Logo veriam que Baltazar Garzón não era apenas um Juiz sem vínculos pessoais importantes e vindo do interior.
Dois anos depois de concluir, aos 24 de idade, o curso de Direito na Universidade de Sevilha, aprovado em concurso, foi nomeado Juiz. No ano seguinte, foi promovido a titular da 1ª. Instância e Instrução de Villacarrillo, província de Jaén (Andaluzia). Daí, ascendeu a Corregedor Geral para toda região.
Seu trabalho na Audiência Nacional fez crescer a confiança popular na Justiça.
Garzón investigou por lavagem de dinheiro o BBVA, o segundo maior banco da Espanha. Emparedou Berlusconi, então Primeiro Ministro da Itália, por corrupção. Mandou prender terroristas, traficantes, políticos, fechou rádios, jornais e suspendeu o Partido Comunista, quando restou provado o vínculo com o braço terrorista do ETA, o movimento separatista basco.
O Juiz sem medo pensou que na política poderia ampliar os espaços da sua ação. Queria conhecer a baleia por dentro. Na lista do PSOE, o partido que despontava majoritário sob a liderança jovem de Felipe Gonzalez, Garzón foi o mais votado.
No Governo, assumiu a direção do Plano Nacional Antidrogas. Renunciou ao cargo e ao mandato denunciando que a corrupção se entranhara demais na engrenagem estatal.
O Juiz Garzón logo compreendeu que o PSOE tinha os votos, mas lhe faltava a experiência para governar.
Retornando à magistratura, cuidou de desmantelar um grupo de extermínio criado sob a proteção do partido do Governo para matar membros e simpatizantes do ETA. Todos os figurões que condenou e mandou prender foram indultados pelo novo Presidente do Governo, agora de direita, José Maria Aznar.
No campo dos direitos humanos, deixando os academicismos de lado e indo diretamente à ação, expediu ordem de prisão do General Pinochet, acusado de mandar torturar e matar não só milhares de chilenos, mas também cidadãos espanhóis durante a ditadura que chefiou.
Depois de meses na Inglaterra, Pinochet teve voltar ao Chile escudado na imunidade do cargo de Senador vitalício, que ele criou para si antes de restituir o poder aos civis.
Garzón conseguiu um acordo de 8 milhões de dólares para os espanhóis vitimas da ditadura chilena, ou familiares, pagos pela Riggs National Corp, que ajudou o general-ditador a lavar dinheiro.
No mesmo quesito, o Juiz sem medo abriu investigações sobre a Operação Condor criada pela ditadura militar argentina para dar sumiço, e deu, a milhares de opositores. As investigações ainda seguem. Muitos estão presos. O general-ditador Jorge Videla morreu na cadeia.
O prestígio popular de Baltazar Garzón não só na Espanha como em toda a União Europeia cresceu tanto que organizações de defesa dos direitos humanos, inclusive dos Estados Unidos, cogitaram indicar-lhe ao Prêmio Nobel da Paz.
Odiado pelos nacionalistas bascos, jurado de morte pelos chefões do tráfico, desdenhado pelas forças políticas mais conservadoras, em especial as mais corruptas, Garzón perdeu força em sua corporação e de Juiz passou à condição de réu, sob a acusação de ter autorizado um grampo numa cela onde estavam os investigados de um rumoroso caso de corrupção de políticos.
Baltazar Garzón tinha 56 anos de idade quando o Supremo Tribunal da Espanha o condenou afastando-o da magistratura por 11 anos sob a acusação de ter ordenado a gravação de conversas entre acusados de um caso de corrupção. Não pode trabalhar como advogado na Espanha.
“Uma vida inteira dedicada à magistratura e de repente te dizem que acabou. É para ficar desolado. Compartilho da sua dor”. Disse Francisco Baena, o advogado, impedido de recorrer da sentença porque a decisão foi unânime.
Nas alegações finais em sua defesa, Garzón escreveu:
“O Tribunal do homem é a sua consciência, disse Emmanuel Kant. Eu posso dizer que minha consciência está tranquila porque tenho procurado aplicar a lei em defesa das vítimas; para investigar crimes cuja permanência ofende a dignidade humana e a sua impunidade transforma as instituições em inimigas do direito e a sociedade em cúmplice do esquecimento e da omissão e da falta de memória”.
Nosso Juiz sem medo escreveu um livro editado pela Editorial Planeta, de Barcelona, que está na 3ª. Edição, 1.029 páginas – “Em El Punto de Mira, la forja de um Juiz a contracorrente”. Não sei se há edição em português.
Ao final, Garzón adverte: “Abrir la puerta a la primeira injusticia és hacerlo a todas las que lós seguin”. (...) Agora, em tradução livre: “No mundo sempre fará falta um Juiz para indagar, para perseguir o crime e confortar as vitimas. Por isso, tenho a certeza de que, inevitavelmente, nunca deixarei de estar num ponto de mira”.
Nada a ver? Tudo a ver? Conclua você.
(Edson Vidigal, advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal)
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Artigo do Edson Vidigal: O Direito de Dizer
A última vez que nos vimos foi num restaurante de comidas italianas em São Paulo. À mesa estavam ainda o Luiz Gonzaga Beluzzo e o Professor César Kouri, advogado de Paulo Henrique.
Foi quando fiquei sabendo que o Beluzzo, ex-Presidente do Palmeiras, antes de seguir pelas sendas da economia cursara Direito na Faculdade do Largo de São Francisco.
Ninguém falou da conjuntura política. Falamos de futebol e também de Renato Archer, um dos mais brilhantes homens públicos da sua geração, por quem Paulo Henrique nutria grande respeito e admiração.
Até combinamos uma Semana Renato Archer no Maranhão, ideia que em lá chegando se esvaiu na correnteza dos adiamentos empurrados pelas barrigas de poderosas agendas locais.
Convivi com Paulo Henrique quando Mino Carta montava a primeira redação da Veja, em São Paulo.
Tempos depois nos reencontramos no Jornal do Brasil, onde ele sucedeu ao grande Walter Fontoura.
Àquela altura, eu estava em dúvida se, após um mandato bem sucedido na Câmara dos Deputados, eu deveria retornar ao JB ou seguir a nova profissão para a qual, após concluído o curso de Direito na UnB, já me credenciara na OAB-DF.
Luiz Orlando Carneiro, um dos mais queridos chefes de redação do jornal, me aconselhando a ficar, sugeriu que fosse à sede do JB no Rio.
Havia a chance de eu ir para a Editoria de Política e em seguida, quem sabe... Élio Gáspari, então chefe, estava deixando o jornal. O Walter também. Era certa a escalada de Paulo Henrique à editoria geral.
Fui sempre agradecido a Paulo Henrique Amorim pelo chá que, antes de me receber, mandou me servir na ante-sala. Chá de cidreira, um calmante, que por mais de duas horas se transmudou em chá de cadeira.
Vendo pela parede de vidro, o Paulo Henrique tenso, inquieto, ocupadíssimo, naquela jaula de vidro, antevia que o meu futuro não era aquilo ali.
Com alguma insistência, o meu Anjo da Guarda segredou-me quase ordenando - sai dessa, Vidiga.
Num almoço no Fritz, em Brasília, não escondi do Luiz Orlando o meu novo entusiasmo.
Abracei com toda as forças da minha vontade defender o primeiro Governador do Espirito Santo, eleito pelo voto direto após 1964, Gerson Camata, denunciado pelo Procurador Geral da República por crime contra a segurança nacional e, por isso, ameaçado de nem ser empossado.
O demais desse capítulo provou-me que eu optara pelo caminho certo. Desistindo, encontrara, enfim, a minha Estrada de Damasco.
Anos depois, reencontrei Paulo Henrique no estúdio do seu programa na TV Record onde fui o entrevistado. Anos e anos depois nos reencontramos na cafeteria do Hospital Sírio Libanês. Ambos em agendas de resultados nem sempre bem vindas.
Aprendi muito cedo a conviver com os contrários.
Recusando-me a beber no cálice da intolerância, sigo praticando aquela máxima de Voltaire - “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante teu direito de dizê-la.” Minha ligação com Paulo Henrique Amorim, meu ex-colega das redações de Veja e do Jornal do Brasil, sempre foi assim.
(Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal)
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Artigo de Schneyder e Dóris: Vocês também não querem ir?
Que pergunta profunda e que resposta sensata, neste capítulo vemos Jesus interagindo com diferente grupos de pessoas: uma grande multidão, os judeus e seus discípulos. Jesus multiplicou os pães e se declarou como o pão da vida e nos ensinou o real foco das nossas vidas. O nosso foco é a eternidade.
Tantas vezes os nossos olhos estão voltados para as nossas necessidades fisicas e para a nossa vida nesta terra, que esquecemos que o nosso tesouro não está aqui, a nossa casa final não é aqui e assim deixamos de crer no Pai Celeste.
O discurso do Senhor foi intenso e pesado para muitos ali. Então, as pessoas começaram a deixá-lo, incluindo seus próprios discípulos.
Ao acontecer isso, Jesus faz a pergunta que iniciamos o nosso texto de hoje. “Vocês também não querem ir?”. Jesus deu liberdade para que cada um tomasse a sua decisão de qual caminho seguir.
O apóstolo Pedro respondeu a esta pergunta de maneira simples e profunda..’ir para onde Senhor? Falar com quem? Ir para quem?’.
Que humildade e perspicácia!! O apóstolo Pedro sabia que Jesus tinha as palavras de vida, mas o apóstolo tinha escolha, ele poderia ter seguido a multidão, talvez tantos estivessem falando contra Pedro, dando suas opiniões, questionando a inteligencia do apóstolo, algumas palavras até poderiam o terem feito duvidar de sua decisão, mas ele decidiu ficar.
Pensando em nosso tempo atual e em nossas vidas, quantas vezes não sabemos por qual caminho seguir, a quem ouvir, a quem recorrer.
São tantas vozes e tantas opiniões, quantas vezes duvidamos de nossas decisões. Como temos falado aqui, para vivermos uma vida melhor precisamos saber a quem ouvir e qual caminho seguir.
No livro Alice no País das Maravilhas, um dos clássicos da Literatura está este dialógo:
“Alice perguntou: Gato Cheshire... pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.
Eu não sei para onde ir! – disse Alice.
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.
Como Alice estava confusa?! Onde ela chegaria se não sabia o seu objetivo final.
O apóstolo Pedro sabia o seu objetivo de vida, por isso escolheu sabiamente o seu caminho. As muitas opções trazem dúvidas, até mesmo as opiniões alheias podem nos desorientar.
No caso da multidão foi a dureza do discurso de Jesus.
Para onde iremos nós? A quem ouviremos? Tire um momento do seu dia e se conecte com Deus, ouça a sua voz.
Saber que estamos vivendo vidas com propósitos e seguindo um caminho de escolhas reais nos dá alegria.
Que não sejamos como a multidão que deixou a Jesus por não gostar das Suas palavras, que não sejamos como Alice que seguiu qualquer caminho, por não saber para onde ir e qual o sentido de sua vida.
Que sejamos como o apóstolo Pedro, que ouçamos o Senhor Jesus, que as Suas palavras eternas nos dêem vida!
Viva melhor, saiba para onde você está indo!
(Escrito pelo ex-comandante do Batalhão da PM de Timon e especialista em Segurança Pública, Coronel Schnneyder e sua esposa a advogada Dóris)
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terça-feira, 2 de julho de 2019
O que daremos ao Senhor por tantos benefícios?
O autor do Salmo 116 relata sobre os “apuros” que passou, as tribulações e problemas que enfrentou, mas ele não para aí, ele diz em diversas parte que Deus ouviu às suas orações, Deus o salvou, Deus é bondoso e misericordioso. O Senhor o encontrou em meios aos seus problemas.
A pergunta do autor que iniciamos o nosso texto de hoje mostra um desejo de retribuir ao benefício recebido, pois o autor entendia que não era digno de receber nada. Ela mostra gratidão em seu coração. Como falamos na semana passada, gratidão envolve confiança e ser agradável. O autor do texto confiou em Deus e viu a sua salvação.
Em nosso tempo, quando o problema ou situações difíceis batem à nossa porta, muitas vezes nós tentamos fazer tantas coisas para resolvê-los, gastamos as nossas mentes e deixamos nossos pensamos afundarem em preocupações, ansiedade e tristezas. Algumas vezes tentamos buscar um culpado ou em outras vezes agimos precipitadamente sem pensar direito. Quando, na verdade, temos uma luz no fim do túnel em meio a qualquer dificuldade: “Eu amo o Senhor, porque ele me ouviu quando lhe fiz a minha súplica...eu o invocarei toda a minha vida...Então clamei pelo nome do Senhor”.
Para termos uma vida melhor, para sabermos qual melhor escolha a se fazer e para enfrentarmos as lutas diárias o segredo é buscar a Deus, clamar por Ele, suplicar pelo seu auxílio. Ele irá nos direcionar e nos transformará em meio à essas circunstâncias. Mas falar assim parece uma fé interesseira, onde “clama-se ao Senhor quando se precisa”, porém a verdade é que quando o seu coração doer, sua alma estiver triste e difíceis decisões, não pense duas vezes, clame ao Senhor pois Ele nos ama e tem prazer em transformar as nossas vidas!
O salmista entendeu isso, ele sabia que clamar ao Senhor era a melhor solução e seu coração se tornou cheio de gratidão e humildade. Ele sabia que não era digno de tantos benefícios. Por isso a pergunta: “Que darei ao SENHOR?” O próprio autor responde: “Cumprirei para com o Senhor os meus votos, na presença de todo o seu povo.” (Salmos 116:14). Ele entendeu que dar o seu coração a Deus e que a sua obediência eram suas únicas formas de gratidão.
“O que daremos por tantos benefícios?”
(Escrito pelo ex-comandante do Batalhão da PM de Timon e especialista em Segurança Pública, Coronel Schnneyder e sua esposa a advogada Dóris)
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sexta-feira, 28 de junho de 2019
Por qual razão ainda não alcançamos a melhoria que tanto almejamos?
Porém, uma pergunta que, talvez, muitos têm feito é: por qual razão ainda não alcançamos a melhoria que tanto almejamos? Não se pode pensar em uma só resposta, pois a questão pode ir muito além de “melhorar de vida materialmente”, às vezes a nossa alma está inquieta e não conseguimos ouvir a voz de Deus para seguirmos o caminho traçado por Ele, que nos levará à uma vida excelente. Essa inquietude em nossas almas pode estar relacionada com o bombardeio de varias obrigações e responsabilidades. Precisamos resolver os nossos problemas para ontem, precisamos pagar as contas, ter roupas novas, nossos filhos precisam de boa educação, ter comida em nossas mesas, um carro para andar e assim vai. São tantas coisas que não temos tempo para muita coisa, se o dia tivesse 25h, todas elas estariam cheias. Por isso que, em tempos como esse em que a vida anda tão corrida, é tão salutar pararmos por um momento todos os dias. Parar para meditar nos preceitos de Deus e sobre nossas vidas para clarear a nossa mente de tanto ruído ao nosso redor e para focar no que realmente importa. Jesus disse certa vez: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir...Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mateus 6:25,26).
Para Deus nós valemos mais que toda natureza, o seu amor por nós é infinito. Por isso o nosso coração deve estar atento à Sua voz, pois Ele nos guiará para melhores escolhas. Quando tivermos assoberbados, preocupados, com dúvidas para onde ir e qual caminho escolher em meio a tantas demandas e possibilidades, devemos parar e focar no que importa, aquietar a nossa alma sabendo que o nosso Deus está no comando e que Ele nos guiará!
(Escrito pelo ex-comandante do Batalhão da PM de Timon e especialista em Segurança Pública, Coronel Schnneyder e sua esposa a advogada Dóris)
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domingo, 23 de junho de 2019
E Quando nos Sobrevêm Aflições?
Em certos períodos das nossas vidas nos encontramos como descrito acima, com tantas perguntas que a nossa esperança por um futuro melhor ou a nossa confiança em Deus ficam abaladas. Mas como disse o profeta Jeremias: “Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade!” (Lamentações 3:21-23). Devemos entender que quando trevas cegam a nossa visão, que quando não entendermos, o que nos trará um senso de direção e esperança é saber que as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã, mesmo que estejamos em tempos difíceis, devemos confiar que Ele sabe e transformará aquilo para o nosso crescimento espiritual, pessoal e para o nosso bem!
Isso é gratidão. Muitas vezes pensamos que gratidão se resume ao que o dicionário nos ensina: “Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento: dar provas de gratidão.” Mas vai além disso. Gratidão tem a sua origem no latim “gratia” que tem seu significado na palavra graças ou “gratus” que tradução literal é agradável. Ou seja, a gratidão vai além do sentimento de reconhecimento por algo bom recebido, mas também quando o infortúnio nos acontece.
Jó entendeu profundamente o sentido real da gratidão: “O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor ” (Jó 1:21 NVI). Ele entendeu que gratidão envolve confiança. É saber que Deus não orquestra o mal, mas Ele trabalha em meio a tudo para trazer o bem, transformando em benção. Ele não nos livra do mal, mas Ele nos fortalece em meio a essas situações. É isso, confiar mesmo sem ver ou entender!
Que nós não sejamos gratos somente quando o bem acontece. Que possamos mergulhar fundo na gratidão! Entender que um coração grato confia, espera e ocupa sua mente com o que renova a esperança: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim”.
Sejamos gratos!
(*Escrito pelo ex-comandante do Batalhão da PM de Timon e especialista em Segurança Pública, Coronel Schnneyder e sua esposa a advogada Dóris)
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quinta-feira, 9 de maio de 2019
Artigo do Edson Vidigal: Mora na filosofia
Descobriu isso quando, algumas vezes, o diretor da redação escalava alguém por perto para aliviar a ansiedade dos que, no dia seguinte, corriam os olhos na página de sempre.
O pacote quinzenal da ANSA, uma agencia italiana, garantia ao matutino uma miscelânea de textos enxutos sobre temas atraentes, incluindo receitas de macarronadas, curiosidades históricas e o indefectível horoscopo.
Quando, algumas vezes, o correio demorava na entrega, tudo podia ficar para depois. Menos a coluna cativa do horoscopo, a mais confiável na mídia impressa local.
Qual era o truque para um bom horoscopo substitutivo do que vinha de Roma? E tinha truque? Tinha, sim.
Havia um mapa de pessoas conhecidas, cada uma com o seu signo. A partir daí soltavam-se as armadilhas suavemente.
Prosaicas insinuações tipo experimente ir hoje ao cinema. Ou evite contato com aquela pessoa invejosa. Não exagere à mesa. Beba bastante agua. E tal.
As previsões e conselhos eram tanto melhores se o astrólogo de araque mantivesse o acompanhamento pessoal, no mínimo, na metade das pessoas com quem convivia sabendo-lhes os signos.
Viciando-se em previsões, logo achou que podia ser comunista. Anos 60, guerra fria, coca cola de Tio Sam, ouro de Moscou, no Brasil um líder aloprado a quem Jorge Amado pregou a alcunha de cavaleiro da esperança. E tal.
Filiou-se ao partidão a cujas promessas se entregou muito apaixonadamente. A paixão é um incêndio invisível. Queima. E o apaixonado ideológico, um paranoico, que se acha o rei dos homens, o pau da bandeira, o dono da foice, o cara que, só ele, sabe onde bate o martelo.
Logo os manda chuva do partido o escalaram para serviços mais confiáveis a agentes provocadores. Craque em xingar militares, em especial os de alto escalão.
Foi quando ouviu de alguém aquela frase de Descartes – penso, logo existo. Ficou encantado. Pensando, pensando, pensando bem, largou o partidão, mesmo sabendo que para os desertores ou dissidentes a pena é de perseguição perpétua.
Olha só o que o Stálin fez com o Trotsky. Perseguiu-o pelo mundo inteiro até que, exilado no México, foi assassinado por um jovem comuna apaixonado, cabeça feita, escalado por Stálin, disseram-lhe, para entrar na história.
O antigo coleguinha dos horóscopos ainda se nutre da perigosa adrenalina em que se viciou, essa de xingar generais.
(Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal)
quarta-feira, 1 de maio de 2019
Artigo do Abdon Marinho: Os tiranetes e a imprensa
Explica-se: durante o XI Congresso Nacional de Direito, promovido pelo Instituto Maranhense de Defesa do Consumidor e Ensino Jurídico (Imadec), um deputado estadual, escalado para palestrar sobre o tema “educação e democracia em tempos de crise”, fez a seguinte colocação: “primeiro passo é não ler blogs, pronto! Saiam disso. Vai lá no computador de vocês (sic), denunciem todos os blogs. Não leiam blogs. Por que blogs, senhoras e senhores, eles publicam aquilo que eles são pagos para publicar”.
A construção é pobre, mas o conteúdo é bem pior.
Como podemos perceber a proposição do ilustre deputado revelou-se contrária ao próprio tema: “educação e democracia em tempos de crise”.
A ideia central de democracia é a capacidade de convivência com a pluralidade de ideias, o respeito às diversas manifestações de pensamento, sobretudo, a capacidade de aceitar críticas. A proposição/recomendação de sua excelência iguala-se, guardadas as devidas proporções, à prática primitiva de se mandar queimar livros, punir seus autores, confiscar ou censurar jornais ou mesmo liquida-los por quaisquer meios.
Ao revelar tanta contrariedade com um meio de comunicação, caso tivesse poder para tanto, não impediria suas edições? Qual diferença existiria entre a sugestão feita e aqueles que, valendo-se do poder, censurava, proibia, queimavam jornais em tristes tempos pretéritos?
A diferença talvez resida unicamente na ausência de poder.
A colocação de sua excelência, quando sugere uma motivação econômica para as publicações de jornalistas e blogueiros, assemelha-se, a uma outra, esta proferida por Adolf Hitler no dias anteriores a implantação do nazismo, disse ele: “eles falam sobre liberdade de imprensa quando na verdade todos esses jornais têm um dono, e em todos os casos, o dono é o financiador. E então, essa imprensa molda a opinião pública”.
Pouco tempo depois a Alemanha já não tinha mais uma imprensa que não estivesse vinculada ao ideário da nova ordem implantada.
O exemplo acima não é único, antes fosse, todos os regimes totalitários para se firmarem destruíram antes a imprensa livre e crítica.
Tem sido assim desde sempre. Nazismo, Fascismo, Maoísmo, Stalinismo, Castrismo, Chavismo e tantos outros. Com o agravante de que quanto mais totalitários os regimes, mais violenta a reação à liberdade de imprensa, chegando-se à sua total aniquilação e a implantação do pensamento único.
Foi neste contexto que o líder comunista, não menos tirano, Josef Stálin, cunhou a frase: “a imprensa é a arma mais poderosa do nosso partido”.
Na verdade chamava de imprensa o que nada mais era sua máquina de propaganda disseminadora de pensamento único na antiga União Soviética.
Exemplo mais recente, e à vista de todos, é o que se deu na Venezuela a partir da ascensão do chavismo ao poder quando o mundo inteiro assistiu ao fim dos meios de comunicação independentes, sob os argumentos mais bizarros, como dizerem que estavam à serviço dos “contrarrevolucionários” ou à serviço de potências estrangeiras. Um a um foram tendo as concessões cassadas, não renovadas ou, simplesmente, expropriadas.
Aqui mesmo, no Brasil, passaram todos os anos dos governos petistas tentando limitar ou restringir a liberdade de expressão e comunicação. Propuseram a criação de um conselho de controle da mídia – que não foi aprovado –, e diversos mecanismos para controlar as linhas editoriais e a propriedade dos meios de comunicação.
O discurso é sempre muito bonito: temos que colocar o povo para controlar a mídia, os veículos de imprensa.
Acontece que nunca dizem que estes tais conselhos – que sempre formam para tudo e com o objetivo de drenar recursos públicos para suas causas –, são controlados por eles.
Daí que embora soe inverosímil e até paradoxal que em uma palestra sobre educação e democracia, se proponha que não se leiam determinados veículos de comunicação, e, mais, que os “denuncie” tais veículos, trata-se de uma ideia perfeitamente compatível com aquilo que pregam: qual seja, que a imprensa deve ser submetida à linha de pensamento daqueles que hoje estão no poder em nosso estado.
Mas isso, como dito antes, não é um privilégio apenas deles, mesmo nas democracias ocidentais mais avançadas, já assistimos tentativas de cooptação ou de restrição à liberdade de expressão. Há uma frase lapidar de Richard Nixon, então presidente americano, acossado por denúncias e mais denúncias do chamado “escândalo Watergate”, que retrata bem esse sentimento anti-imprensa, disse ele: “a imprensa é o inimigo”.
Dito isso, lá pelos anos setenta, naquela que já era o modelo de democracia para todas as nações civilizadas, como uma proteção expressa, através de emenda à constituição, assegurando a plena liberdade de expressão.
Mais recentemente, também, dos Estados Unidos, vêm outra série de ataques à liberdade de expressão. A partir da campanha de Donald Trump – já usada em larga escala –, e continuamente no seu governo, que é a conceituação de algo que se chamou de “pós-verdade” e, para desmerecer os veículos de comunicação, qualquer notícia que contrarie sua linha de pensamento é tratada com “fake news”.
Trata-se de comportamento que contraria toda história – e tradição -, americana de dispensar especial respeito aos veículos de comunicação e a liberdade de pensamento, com consequências danosas pelo resto mundo.
O povo e os veículos de comunicação dos EUA, decerto, não sentirão os efeitos mais deletérios desta “nova política”, mas no resto do mundo já se sente.
Temos visto outros líderes mundiais autoritários reprimirem com mais vigor as liberdades individuais e o direito de livre manifestação de pensamento.
Na Turquia, por exemplo, temos milhares de jornalistas e opositores ao atual governo encarcerado. Também por lá, o governo saudita deu cabo a um jornalista que se opunha ao seu regime.
Na Rússia, na China e tantos outros lugares, o tratamento dispensado pelo governo americano aos veículos de comunicação tem servido de inspiração à verve infinitamente mais autoritária que nos remetem aos mais tristes acontecimentos ao longo da história.
O Brasil, apesar da extraordinária conquista no se refere à liberdade de expressão, a partir da edição da Constituição de 1988, ainda é um dos países que mais registra violência contra tal conquista.
No último dia 30 de abril se divulgou um estudo feito pelo Conselho do Ministério Público e pela Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública – Enasp, segundo o qual o nosso país é o sexto mais perigoso do mundo para os jornalistas, só ficando atrás de países com manifesta crise institucional, política e humanitária, como Síria, Iraque, Paquistão, México e Somália.
Ainda segundo o levantamento, entre os anos 1995 a 2018, 64 jornalistas, profissionais de imprensa e comunicadores foram mortos no exercício da profissão no nosso país.
Um quadro desalentador para uma nação que assegurou em seu texto constitucional ampla liberdade de expressão e de imprensa, dizendo que a mesma não sofreria qualquer embaraço.
A violência contra a livre manifestação do pensamento não alcança apenas jornalistas ou outros comunicadores, ela vai a qualquer um que ouse discordar do pensamento dos “tiranetes” de plantão, e ela também não é apenas física –,visando a eliminação física ou encarceramento dos pensam diferente –, ela, através da força e dos aparelhos do Estado, persegue a condenação de jornalistas/blogueiros e demais comunicadores, inclusive, na esfera penal, visando a aniquilação financeira dos mesmos.
Não faz muito tempo um grupo de juízes – reparem bem, juízes –, sentindo-se “atingidos” por determinada publicação, passaram a abrir, em diversas comarcas, ações contra os jornalistas. E eram tantas as ações – e em tantas comarcas–, que os profissionais da imprensa não tinham mais como trabalharem, passavam todo o tempo se descolocando entre as diversas comarcas para responderem às ações propostas pelos magistrados aprendizes de tiranos.
A situação chegou a tal ponto que o próprio Supremo Tribunal Federal – STF, viu-se obrigado a intervir diante de tamanha violência.
Até o Supremo, que atual quadra, acha que deve e pode censurar publicações, entendeu excessivo e vergonhoso que vinha acontecendo. Assim como é excessivo e absurdo o que a própria corte faz ao abrir inquérito para investigar críticas ou levar a cabo a censura a veículos de comunicação. Excessivo, absurdo e vergonhoso.
Essa tenebrosa e obscura quadra política, com jornalistas e blogueiros sendo condenados, inclusive a pena de prisão por delitos de opinião, tem alcançado e com muita ênfase, também, o Maranhão.
Desde que os atuais donatários chegaram ao poder que ouço jornalistas, blogueiros e comunicadores, que não se submetem à linha “editorial dos Leões”, reclamarem de perseguição. São infinitos processos cíveis e penais atravancando as varas da justiça visando a punição – física e financeira –, por crimes de opinião.
A sociedade precisa ficar atenta a estes comportamentos. Todos os projetos autoritários de poder têm início com a repressão à imprensa livre. E quanto maior o poder mais autoritários se tornam.
A liberdade para se expressar livremente sem qualquer receio, não é uma conquista de um jornalista, blogueiro ou qualquer outro comunicador, é uma conquista da sociedade. Depois de calarem os jornalistas, farão o mesmo com o cidadão comum.
Ainda lembro das palavras do presidente da Assembleia Nacional Constituinte naqueles tumultuados dias de debates sobre a Constituição, disse o velho Ulysses Guimarães: “antes uma imprensa que erre ou cometa excessos, que imprensa nenhuma”.
Acrescentaria: “antes poder ler diversos textos e formar minha própria convicção do que só ter acesso à versão dos fatos que querem que saibamos”.
(Abdon Marinho é advogado)














