Por Oswaldo Viviani/Jornal Pequeno
A partir de hoje (28) e até a quinta-feira (31), acontecem as primeiras audiências na Justiça referentes ao assassinato do jornalista Décio Sá, ocorrido em abril do ano passado, em São Luís. Serão ouvidas apenas testemunhas de acusação – 15 por dia –, arroladas pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA). As audiências ocorrerão a partir das 9h, na 1ª Vara do Tribunal do Júri (Fórum do Calhau), e serão presididas pelo juiz Márcio Castro Brandão. Além das testemunhas, vão estar no Fórum os acusados Gláucio Alencar Pontes Carvalho, José de Alencar Miranda Carvalho (pai de Gláucio), Fábio Aurélio do Lago e Silva, o 'Buchecha', e Fábio Aurélio Saraiva Silva, o 'Fábio Capita'.
Na sexta-feira (25), o prédio do Fórum passou por uma vistoria, que teve o objetivo de garantir a segurança nas audiências.
Treze acusados foram indiciados – O jornalista Décio Sá, que trabalhava na editoria de política do jornal O Estado do Maranhão – integrante do Grupo Mirante, da família Sarney –, foi assassinado com seis tiros (cinco deles fatais) de pistola ponto 40, no dia 23 de abril do ano passado, no bar e restaurante Estrela do Mar, um estabelecimento à beira-mar, na Avenida Litorânea, em São Luís. O crime repercutiu nacional e internacionalmente.
Em 13 de junho, ao fim de mais de 50 dias de investigações – em que foram ouvidas cerca de 60 pessoas, a polícia maranhense desencadeou a operação 'Detonando' e deu o 'caso Décio' como elucidado. O homicídio teria sido encomendado por R$ 100 mil.
Sete acusados de envolvimento foram presos, indiciados pela polícia e denunciados à Justiça pelo Ministério Público. São eles:
• O assassino confesso do jornalista, o paraense de Xinguara Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos (preso antes da 'Detonando', em 5 de junho, em São Luís, com drogas e armas; já transferido para um presídio federal, em Campo Grande, no MS);
• Gláucio Alencar Pontes Carvalho, 35 (empresário, acusado também por prática de agiotagem; hoje preso no Quartel do Comando da PM, no Calhau);
• José de Alencar Miranda Carvalho, 73 (pai de Gláucio; também acusado por agiotagem; está preso com o filho no Calhau);
• José Raimundo Sales Chaves Júnior, o 'Júnior Bolinha', 38 (empresário do ramo de automóveis e representante comercial de bebidas em Santa Inês (MA); teria feito o papel de intermediador entre o assassino, Jhonatan de Sousa, e os mandantes do crime; está preso na Unidade de Recolhimento de Regime Diferenciado – URRD –, na Liberdade);
• Fábio Aurélio do Lago e Silva, o 'Buchecha', 32 (trabalhava para Júnior Bolinha; segundo a polícia, ajudou na operacionalização do assassinato de Décio Sá; preso no Quartel do Comando da PM).
• Fábio Aurélio Saraiva Silva, o 'Fábio Capita', 36 (capitão da PM-MA; era subcomandante do Batalhão de Choque da corporação; para a polícia, foi ele quem forneceu a Júnior Bolinha – de quem é amigo de infância – a pistola ponto 40 usada por Jhonatan de Sousa para executar Décio Sá; a acusação nunca foi comprovada, mas o capitão segue preso; está no Quartel do Calhau).
• Marcos Bruno da Silva Oliveira, 28 (natural de Bacabal, foi preso em 7 de novembro do ano passado; foi ele, segundo a polícia, o verdadeiro 'piloto de fuga' de Jonatan de Sousa; preso em local não revelado).
Três pessoas indiciadas pela polícia ainda estão foragidas:
• Shirliano Graciano de Oliveira, o 'Balão', 27 (cunhado de Marcos Bruno; teria ajudado na operacionalização do assassinato de Décio Sá; denunciado pelo MP);
• Elker Farias Veloso, o 'Diego', 26 (apontado por Jhonatan de Sousa como seu 'piloto de fuga'; a polícia, no entanto, diz que essa função foi realizada por Marcos Bruno da Silva Oliveira; Elker foi indiciado e denunciado por dar apoio logístico ao pistoleiro);
• Homem conhecido como 'Neguinho' (foi indiciado pela polícia, mas o MP não aceitou fazer denúncia contra ele, por falta de qualificação completa; paraense, teria apresentado o executor do crime, Jhonatan de Sousa, ao suposto intermediador, Júnior Bolinha).
Também foram indiciadas pela polícia e denunciadas pelo Ministério Público, por envolvimento no assassinato de Décio Sá, as seguintes pessoas, que não foram presas:
• Os investigadores da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros (dariam suporte informal aos suspeitos de agiotagem Gláucio Alencar e José de Alencar Miranda);
• Ronaldo Henrique Santos Ribeiro (ex-advogado de Gláucio Alencar; também era amigo do jornalista assassinado; apontado pela polícia como 'braço jurídico' de agiotas que atuam em várias prefeituras do Maranhão).
'Blindagem' – Em entrevista publicada no último dia 13 no Jornal Pequeno, feita por meio de amigos e familiares, Gláucio Alencar negou ter sido o mandante do crime e afirmou que as investigações da polícia foram direcionadas para 'blindar' Pedro Teles, membro da família Teles – políticos de Barra do Corda aliados do governo Roseana Sarney (PMDB). O secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes, negou qualquer direcionamento no trabalho da polícia.
(Colaborou Valquíria Ferreira)

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