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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Artigo do Edson Vidigal: Tudo Embaralhado

Quem passando ali defronte ao Palácio do Planalto, onde os grandões da República cuidam dos seus afazeres tem a atenção voltada para aqueles rapazes perfilados em duas fileiras na imensa rampa a lembrarem pelo fardamento à moda antiga que seguimos sendo perante Portugal um Brasil independente.

Chova ou faça sol eles se alternam compondo a mesma paisagem. Quem estando em Brasília pela primeira vez resiste à ideia de um selfie com eles, os Dragões da Independência,  ao fundo?

Quando os ventos escasseiam e a secura se impõe ao clima do planalto há, em cada rodizio entre os Dragões, um deles desmaiando. Fazem um trabalho difícil, quase de estátua. E como é difícil ser estatua...

Embora vistos de longe até pareçam estátuas, mas são gente em carne e osso e neurônios. Noventa bilhões de neurônios se entendem ou não uns com os outros em cada cérebro daqueles.

Li que as conexões entre os neurônios, chamadas de sinapses – e elas somariam mais de cem trilhões – podem determinar  ao nosso cérebro reações de êxtase ou de inibição.

O ponto de equilíbrio é controle emocional, também chamado de freio por ser o que nos impede de num impulso transpor fronteiras como as da razão, da ética, da moral, da tolerância.

Não nos tem passado despercebidas no cenário nacional desta atual Pátria Educadora situações no mínimo inusitadas a nos levarem a uma busca obrigatória para entendermos o que realmente está acontecendo, até mesmo para nos imantarmos de alguma certeza de que não somos nós os menos certos.

No campo da psicologia há quem afirme que o maior ou menor numero de sinapses nos cérebros das pessoas tem a ver com o exercício profissional de determinados afazeres.

A pesquisa de James E. Black, porem, não assegura se o trabalho extra, aquele que se faz fora do campo estritamente profissional, desencadeia novas sinapses ou se os que as tem em maior quantidade são os que se sentem mais atraídos a ações mais desafiadoras.

O soldado do Batalhão da Guarda Presidencial, também conhecido como Dragões da Independência, disse que nunca havia pensado nisso antes, mas que pela primeira vez sentiu uma vontade irresistível de roubar alguém. Daí planejou o assalto.

Pegou um revolver de brinquedo e sem pensar mais em nada, movido apenas pelo piloto automático do cérebro, escolheu a vitima. Anunciou o assalto e o assaltado se anunciou como Delegado da Policia Federal e lhe deu voz prisão, entregando-o à Delegacia mais próxima.

O soldado tem 21 anos de idade. Está preso agora no batalhão da Guarda Presidencial e após o inquérito administrativo que concluirá por sua expulsão, o que será de sua vida?

Com a breve biografia manchada por um antecedente desse jaez precisará, com certeza, de tratamento psiquiátrico adequado que o restituirá à sociedade devidamente ressocializado.

O erro do jovem Dragão foi, talvez, acreditar que de tanto ler e ouvir falar em traficâncias dos grandes ele também, embora sendo um menor na hierarquia do poder, também poderia inventar sua própria contribuição ao atual momento.

A propósito, sabes como reagiu o ultimo diretor da Petrobrás a ser preso?

- Que País é este?

(Por Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça. E Ministro Corregedor do Tribunal Superior Eleitoral)

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