Assembleia Legislativa

quinta-feira, 23 de março de 2017

Artigo de Saddam Hussein: O show midiático, escandaloso e imprudente da Polícia Federal

O Brasil acompanhou com perplexidade há alguns dias o anúncio inesperado da Polícia Federal sobre a operação “Carne Fraca”, que investigou desvios de agentes públicos na fiscalização e a adulteração de carnes em frigoríficos responsáveis pela produção da maior quantidade do consumo nacional e por números expressivos para o mercado internacional.

Ocorre que duas questões primárias não foram respondidas pelos delegados da operação: quais lotes de carnes estavam (ou estão) contaminados e pra quais mercados esses produtos foram despachados para consumo.

O frisson e porque não dizer a histeria foi ampla, geral e irrestrita. O alarde pelo anúncio pessimamente planejado gerou uma tremenda confusão, seja aterrorizando os consumidores brasileiros, inibindo compras ou causando embaraços na política internacional.

O vexame brasileiro com a comunidade internacional foi sem precedentes. A credibilidade de décadas construída com muito esforço de fiscalização, normatização e investimentos vultosos no segmento, foi anulada numa coletiva infeliz de alguns minutos.

Todo o esforço para garantir nossos rebanhos como livres da febre aftosa, para deixar no passado o mal da vaca louca, para prevenir a gripe aviária e, o mais difícil, enquadrar as empresas nacionais no exigente padrão sanitário internacional, simplesmente foi colocado em xeque.

Em tempos de grave recessão por conta da crise econômica, em um momento onde governo, empresários e sociedade fazem esforços monstruosos para manutenção de empregos e a retomada do crescimento, não é aceitável que logo a Polícia Federal dê prejuízo de bilhões de dólares na economia e um prejuízo inestimado na credibilidade.

O risco da grande desvalorização dos nossos produtos e a perda de mercados internacionais conquistados a duras penas ao longo de tanto anos é inaceitável. E o país que tem uma agenda de crises e problemas pra resolver, ganha mais uma.

É bem verdade dos grandes serviços prestados até hoje pela PF no combate à corrupção, mas é inegável que há alguns anos a instituição vem sendo usada para fins partidários, promoção ou detonação de alguns conforme a conveniência do momento.

Essa operação descuidada, por exemplo, é uma mostra do midiatismo escrachado e sem precedentes que tomou de conta das operações policiais.

São vazamentos seletivos e partidários costurados nos bastidores com a imprensa, delegados e investigadores engravatados que não se contentam mais em apenas cumprir seu dever funcional, estão sedentos pelos holofotes da mídia, para estampar jornais e virar notícia. Isso tudo para, no meio de uma crise ética jamais vista, serem ungidos a heróis da pátria pelo senso comum.

O que ousaram chamar de “maior operação da história da polícia federal” é na verdade a mais desastrada, colocando todo o setor produtivo brasileiro sob suspeição.

O Ministro da Justiça está perdendo uma boa oportunidade de exonerar o diretor da PF justificadamente e resolver dois problemas: o político-partidário e o midiatismo imprudente que tomou conta da instituição.

(Por Saddam Hussein Nunes é acadêmico de Direito e suplente de vereador em Coroatá)

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